Philomena

PhilomenaTítulo original: Philomena [2013]

A história do filme

Philomena Lee é uma mãe solteira que é enviada a um convento, onde fica encarcerada por anos. As freiras a obrigam a colocar o filho, Anthony,  3, para adoção. Anthony é adotado por um casal americano e some no mundo. 50 anos depois, Philomena conta a história para a filha Jane, que pede ajuda do jornalista Martin Sixsmith para encontrar o menino.

A história real

Segundo a própria Philomena Lee, “Sim, o filme é uma reprodução fiel da minha história da forma como contei para o jornalista Martin Sixsmith e depois para o diretor Stephen Frears. É claro que o filme tem algumas licenças artísticas, por exemplo, eu não viajei para os EUA com o jornalista. Mas o cerne da história é a minha história.” (entrevista do jornal italiano La Stampa, leia na íntegra ao final do post)

Ela também conta que a amizade mostrada no filme se deu mais entre ela e o ator Steve Coogan do que com o verdadeiro Martin. Eles se tornaram amigos durante as gravações e Steve, inclusive, levou-a para conhecer o Papa Francisco, em Roma. Além disso, na vida real, não foi Martin que descobriu que o filho dela estava morto, e sim sua filha Jane.

Quando Philomena contou a história para ela, no que seria o aniversário de 50 anos de Anthony, Jane entrou em contato com a agência americana que mediou a adoção e conseguiu informações sobre Anthony. Martin foi mais tarde aos Estados Unidos para descobrir mais sobre a vida dele, e encontrou sua irmã Mary (que foi mesmo adotada com ele) e seu namorado Pete, que foi à Londres encontrar Philomena e levou fotos de Anthony/Michael (nada como o Pete chato do filme). Pete deu a Philomena o anel céltico que Anthony/Michael usava – e ela não tira o anel do dedo.

Philomena e Steve Coogan

Philomena e Steve Coogan se tornaram bons amigos. Ela foi até à cerimônia do Oscar.

Vida de Philomena antes de Anthony: Nasceu em uma pequena vila na Irlanda. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas seis anos e o pai colocou ela e três irmãs em um convento, onde Philomena viveu até os 18 anos. Quando saiu, ela foi morar com uma tia e algumas semanas depois engravidou (num festival, igual ao filme). A tia que percebeu a gravidez – Philomena não sabia o que era estar grávida, nem o que era sexo, esses assuntos era proibidos no convento onde cresceu.  Ela foi enviada para a abadia de Sean Ross, e o pai disse a todos que ela estava morta. O restante aconteceu de forma bem semelhante ao filme.

As lavanderias Magdalen Laundries, onde Philomena trabalhou, eram na realidade bem piores do que o filme dá a entender. Os asilos e lavanderias Magdalene encarceravam mulheres consideradas um risco à sociedade, chamadas´fallen women´ (mulheres caídas), que eram as mães solteiras, prostitutas e até moças consideradas “bonitas demais para a sociedade”. Essas mulheres eram enviadas às lavanderias onde ficavam presas e trabalhavam de maneira escrava, lavando roupas, cozinhando, cuidando de religiosos enfermos, limpando os conventos. Elas passavam fome, tinham os nomes mudados, os filhos vendidos, eram obrigadas a rezar por horas e fazer votos de silêncio que duravam longos períodos. Acredita-se que mais de 30 mil jovens tenham sido escravizadas pelos Magdalen Asylum.

O filme Magdalen Sisters (As Irmãs Madalena) é baseado em fatos reais (haha, ainda não investigamos esse!) e conta a história de meninas encarceradas nos asilos Magdalen (sinopse aqui). Assista ao trailer em inglês aqui. Encontramos também o filme legendado completo no YouTube, veja aqui.

Philomena iniciou um projeto (o Philomena Project) para ajudar as mães dos Magdalen Asylums a encontrar seus filhos perdidos. Visite aqui o site – e assine a petição para pedir a liberação dos arquivos de adoção dos conventos às mães das crianças.

Leia aqui um depoimento de Philomena sobre sua vida (original em inglês, para a versão traduzida do google, clique aqui)

O livro Philomena, de Martin Sixmith, já está disponível em português pela ed. Verus. Veja aqui.

Traduzimos abaixo a entrevista de Philomena Lee ao jornal La Stampa. Leia também em inglês, italiano ou espanhol.

La Stampa – Você reencontrou outras mulheres que foram mães solteiras como você e tiveram que dar seus filhos para adoção?
Philomena – Não porque mudavam nossos nomes no convento. Por três anos meu nome foi Marcela. E todas as garotas que conheci naquela época e estavam na minha situação tinham nomes diferentes do que têm agora. Então quando me perguntaram anos mais tarde se eu conhecia fulana ou fulana, eu dizia que não, porque nos conhecíamos por outros nomes. Também tínhamos vergonha por termos sido mães adolescentes então não conversávamos muito. Eu só compartilhei minha experiência com uma outra menina, mas nós perdemos contato.

LS – O que você sentiu quando conheceu o Papa?
P – Faziam você se sentir muito mal por ter tido um filho fora do casamento. Eu carreguei essa culpa dentro de mim por 50 anos, sem contar para ninguém. A única pessoa que sabia era meu irmão. Quando eu conheci o Papa, me senti finalmente livre, eu não precisava mais me sentir culpada. Eu espero e acredito que o Papa Francisco vai estar ao meu lado na minha luta para ajudar milhares de mães e filhos a descobrirem a verdade sobre suas próprias histórias.

LS – Você considera o Vaticano responsável pelo que aconteceu com você?
P- Eu era muito jovem à época; eu nunca me perguntei esse tipo de coisa. Eu não sei quem foi responsável ou o quanto foi. As coisas simplesmente deram nisso. É claro, quando eu sai de lá estava desapontada, brava, machucada e triste; eu estava brava com todo mundo. Até perdi um pouco da minha fé. Mas eu não podia ter vivido em amargura por 62 anos. Eu também trabalhei como enfermeira num hospital psiquiátrico por um tempo e depois de ter contato com a dor de muitos outros, uma dor que era ainda maior do que a minha, eu meio que coloquei meu sofrimento de lado. Eu não estou ressentida, não mais.

Para saber mais ainda – O jornal The Atlantic publicou uma outra entrevista (mais longa) com Philomena e a filha Jane, clique aqui para ler a versão original em inglês. Ou aqui para a versão traduzida pelo Google.

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Publicado em março 9, 2014, em Drama e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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