47 Ronins

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Título original: 47 rōnin [2013]

A história do filme

Kai (Keanu Reeves) é um mestiço que vive em Ako desde quando era garoto, sempre sob a proteção do lorde Asano (Min Tanaka). Entretanto, ele nunca foi aceito por Oishi (Hiroyuki Sanada), o chefe dos samurais. Um dia, o shogun Tsunayoshi (Cary-Hiroyuki Tagawa) visita Ako e leva consigo o lorde Kira (Tadanobu Asano), que possui um pacto secreto com uma feiticeira (Rinko Kinkuchi). Juntos, eles tramam contra Asano e fazem com Oishi caia em desgraça. Um ano depois, Mika (Ko Shibasaki), Oishi procura a ajuda de Kai para vingar Asano.

A história real

A história dos 47 ronins é uma das mais populares no Japão e a versão mais acurada está registrada no livro Tales of Old Japan (Contos do Japão Antigo, de A.B. Mitford). Apesar da licença poética de incluir dragões e magia na história, o filme passa uma boa idéia sobre o que realmente aconteceu. É claro que não existiu um mestiço (o personagem do Keanu Reeves) na vida real, e também não existiu a mocinha aprisionada no castelo. Mas os nomes dos personagens, por exemplo são os verdadeiros nomes dos ronins, e eles realmente vingaram seu mestre e se suicidaram depois. Vamos resumir a história verdadeira aqui, mas se você quiser também pode ler o conto no livro original, disponível online pelo Gutenberg Project, aqui . (o link está em inglês, para ler uma versão do Google tradutor, clique aqui)

Ōishi_Yoshio

Ōishi Kuranosuke Yoshio

A história começa em 1701 quando o shōgun Tokugawa Tsunayoshi determinou que o senhor de Ako Asano Takumi No Kami Naganori deveria entreter os enviados da família imperial. Para isso, ele seria instruído por Kira Kozukenosuke Yoshinaka, um alto oficial. Acontece que os dois se odiavam e Kira ainda tentou cobrar pelo serviço que deveria prestar apenas por honra. Asano não aceitou a ofensa, e atacou-o dentro do palácio do shōgun.

Asano foi ordenado a cometer seppuku, seu irmão foi colocado em prisão domiciliar e sua fortuna foi tomada pelo shōgun. O seppuku é o ritual suicida cometido quando um samurai sentia que perdeu sua honra (por perder uma batalha ou cometer um crime, por ex). O ritual era parte de uma grande cerimônia, com tapetes brancos, espectadores e gestos friamente calculados. A técnica de seppuku consistia em enfiar um punhal abaixo do próprio umbigo, fazer um corte horizontal para expor as vísceras, virar o punhal e subir com ele até o coração. Muitos não aguentavam completar a prática por causa da dor extrema e por isso existia o kaishakunin, um “carrasco” que decaptava o samurai num golpe de misericórdia.

Após o seppuku de Asano, seus samurais se reuniram para traçar o plano para vingá-lo, segundo as leis do bushido*. Como Kira estava observando-os de perto, eles se dispersaram e passaram quase dois anos vivendo em tavernas, prostíbulos e locais remotos (um homem até chegou a insultar Oishi cuspindo e chutando-o no rosto – era ofensivo tocar o rosto de um samurai, e ele não reagiu). Assim as suspeitas de uma vingança foram esquecidas.

Alguns dos ronins, então, se infiltraram como funcionários na região de Kira para estudar seus pontos fracos. Na manhã do dia 14 de dezembro de 1702, eles invadiram a mansão. O grupo de Oishi atacou pela frente, o grupo de seu filho Chikara atacou por trás e quatro ronins escalaram o portão e mataram o porteiro, permitindo que os arqueiros se posicionassem nos telhados. Kira se escondeu, mas os ronins o encontraram e permitiram que cometesse seppuku. Como ele não teve coragem, Oishi o matou com o mesmo punhal que Asano se matara.

Concretizada a vingança, 46 ronins se entregaram ao shōgun e puderam morrer honradamente por seppuku, e não como criminosos. A cerimônia foi realizada com quatro seppukus por vez, mas todos foram enterrados lado a lado. O 47° ronin, Terasaka Kichiemon, fugiu para Ako para dar a notícia e foi mais tarde perdoado pelo shōgun. Quando morreu, foi enterrado com os 46 companheiros e um outro ronin que cometera seppuku por ter sido proibido pela família de participar da vingança. Diz a lenda que o homem que cuspiu em Oishi também cometeu seppuku, por vergonha de suas ações.

Até hoje milhares de japoneses visitam o túmulo dos ronins para se lembrar de sua lealdade, determinação, sacrifício e honra. Foi erguida na entrada dos túmulos uma estátua de Oishi e a história se tornou a peça de teatro mais encenada no Japão.

*O bushido (“caminho do guerreiro”) é o código samurai que determinava como deveriam viver, baseado em 7 virtudes: GI (義?) – Justiça e Moralidade, Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar; YUU (勇?) – Coragem, Bravura heróica. JIN (仁?) – Compaixão, Benevolência. REI (礼?) – Polidez e Cortesia, Amabilidade. MAKOTO (誠?) – Sinceridade, Veracidade total. MEIYO (誉?) – Honra, Glória; CHUU (忠?) – Dever e Lealdade.

Na Wikipedia, está disponível uma lista com o nome e pintura de cada um dos 47 ronins. Clique aqui para acessar.

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Publicado em fevereiro 2, 2014, em Ação e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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