Capitão Phillips

capitao phillipsTítulo original: Captain Phillips [2013]

A história do filme

Baseado na história real do capitão Richard Phillips, este filme conta a história do capitão que aceita ser tomado como refém por piratas somalianos em troca da liberdade da sua tripulação.

A história real

“O navio do capitão Phillips foi atacado, e o navio e a tripulação e a carga foram recuperados sem danos ou perda de vidas […] Essa é a história que nós contamos, e é uma história verdadeira.” Essa é a alegação do diretor do filme, Paul Greengrass. E ele está certo, essa parte da história é real.

O verdadeiro Phillips

O verdadeiro Phillips

Em 8 de abril de 2009, o Maersk Alabama foi sequestrado por quatro piratas somalis, numa terceira tentativa de abordagem. O capitão do navio foi levado refém num bote salva-vidas (idêntico ao do filme, por sinal) e resgatado após um grupo de SEALs atirar simultaneamente nas cabeças dos três piratas que estavam no bote (e os SEALs realmente pularam de para-quedas no meio do oceano para encontrar o navio da marinha americana e executar o resgate).

Mas o capitão Phillips não é nada heróico como o filme dá a atender. Na verdade, 11 dos 19 tripulantes do navio processaram o capitão após o incidente por “desrespeito intencional, arbitrário e consciente com sua segurança”.

A tripulação alega que Phillips ignorou todos os alertas relativos a ataques piratas. Phillips desrespeitou o comando de segurança de que os navios devem ficar a pelo menos 600 milhas da costa da Somália e colocou o Maersk Alabama a apenas 240, dizendo que o navio devia “cortar caminho” e chegar mais rápido.

O capitão também ignorou os avisos de um programa de computador que mapeia ataques piratas e que mostrava que era praticamente impossível seguir a rota determinada por Phillips e não ser atacado. Um membro da tripulação disse ao New York Post que o capitão era “realmente arrogante” e outro, que sequer faz parte do processo, diz que Phillips tinha um “desejo perverso de ser capturado, já que sabia por onde estava passando e tinha visto as marcações de ataques recentes ao menos umas 50 vezes”.

Quando os piratas foram avistados, Phillips se negou a realizar os procedimentos de segurança. E continuou negando quando eles subiram a bordo do navio. O membro da tripulação que falou com o NYP diz que o plano do capitão era simplesmente “erguer mãos ao alto e falar ‘oops, os piratas estão aqui'”.

O verdadeiro herói da história, na verdade, foi o engenheiro chefe Mike Perry, que percebeu a ineficiência do capitão e assumiu sozinho a proteção do navio. Perry levou por conta própria maior parte da tripulação à casa de máquinas para escondê-los, desligou os motores e, ainda sozinho, esperou escondido com uma faca os piratas aparecerem e rendeu um deles. Não, não teve nada de caco de vidro no chão, mas um outro tripulante, também por conta própria, esfaqueou a mão (e não o pé) de um outro pirata.

phillipsdepoisresgateEmbora revoltados com o capitão, os tripulantes se arriscaram para barganhar por sua vida e trocá-lo pelo pirata capturado. A troca deu errado, mas Phillips não foi levado voluntariamente e não disse nada parecido com “se for atirar em alguém atira em mim”. Ah, e até onde foi relatado pela imprensa, ele não estava em choque quando foi resgatado. (essa foto ao lado foi tirada logo após ele chegar ao navio da marinha)

Apesar de aparentemente não ter feito nada de substancial durante o ataque, Phillips fez algo grande logo depois: escreveu um livro contando sua versão da história (Dever de Capitão, Richard Phillips, Ed. Intrínseca), onde ele claramente se coloca como herói, e virou queridinho dos americanos (ele até apertou a mão do Obama!). Enquanto isso, Mike Perry e o resto da tripulação continuam pobres, desconhecidos e sem reconhecimento.

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Maersk Alabama após o ataque pirata, em 21 de abril de 2009

Sobre piratas somalis: A pirataria na Somália, como é brevemente mencionado no filme, começou após países europeus e asiáticos aproveitarem da falta de um governo somali central e invadirem águas somalis para pescar e despejar lixo tóxico (o que destruiu a vida marinha na costa).  Num país em guerra civil desde 1988, em que a população está literalmente morrendo de fome (Sabe aquelas fotos assustadoras de criancinhas pele e osso? Pois é, muitas são tiradas na Somália), muitos pescadores que não podiam competir com os navios estrangeiros se aliaram a grupos rebeldes para afugentar os estrangeiros e recuperar a pesca, sua forma de subsistência. Mais tarde, começaram os sequestros de navios, uma maneira de essas pessoas em condições precárias ganharem muito dinheiro. Os piratas que invadiram o Maersk Alabama tinham entre 17 e 19 anos, e o sobrevivente Muse (18 anos na época) está cumprindo pena de 33 anos numa prisão nos EUA. Para saber mais sobre a pirataria somali, assista o documentário İPiratas! de 23 minutos (legenda em português), clicando aqui.

Piratas somalis

Piratas somalis

Atualmente, a ONU estima que 30% da população somali esta em risco imediato de morte por desnutrição.

Atualmente, a ONU estima que 30% da população somali esta em risco imediato de morte por desnutrição.

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Publicado em janeiro 29, 2014, em Drama e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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